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Ordinariato militare PortogalloQuesta mattina, nel Palazzo Apostolico Vaticano, il Santo Padre Leone XIV ha ricevuto in Udienza una Delegazione dell’Ordinariato Militare per il Portogallo.

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa ha rivolto ai presenti nel corso dell’Incontro:

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen!

A paz esteja convosco!

Excelência Reverendíssima,
Distintas Autoridades,
Reverendos Capelães,
Queridos irmãos e irmãs!

Viestes a Roma e convosco vieram também, de certa forma, os demais elementos das vossas unidades. Ao acolher-vos, estendo a minha saudação a todos os membros – cristãos e não cristãos – do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em Portugal. De modo especial, recordo à luz de Cristo Ressuscitado os dois jovens militares do Exército que, na passada sexta-feira, perderam a vida enquanto generosamente, como o bom samaritano, pararam no caminho para prestar auxílio: confio-os ao Senhor, juntamente com as suas famílias.

Foi a pensar no bem das inteiras corporações das Forças Militares e de Segurança, dos seus membros e respetivas famílias, que há 60 anos se erigiu o Vicariato, o qual passou a designar-se em 1981 Ordinariato Castrense e teve, há 25 anos, o primeiro bispo próprio. Quisestes, pois, vir a Roma para assinalar precisamente estas efemérides. Possa o Ordinariato, dando o seu inestimável contributo para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar a ser um espaço de construtiva colaboração com as autoridades estatais, governativas e militares.

Para quem acredita em Cristo, peregrinar a esta cidade representa uma singular ocasião para a renovação de si mesmo, reconhecendo a centralidade de Deus na própria vida e fortalecendo a fé através da oração junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro. Todos os dias, cabe a cada um de vós a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças. Gostaria, pois, de vos repetir esta exortação de São Paulo: «Tornai-vos fortes no Senhor. […] Mantende-vos firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça da justiça e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz» (Ef 6, 10.14-15).

Sede fortes no Senhor como o centurião que, em Cafarnaum, se aproximou de Jesus. Ele conhecia bem os valores pelos quais pautais a vossa vida: a obediência, a disciplina, a renúncia, a lealdade, a camaradagem, a dedicação, a responsabilidade e a coragem. Ao mesmo tempo, aquele militar sentia necessidade de Deus, sabia que o ser humano não se basta a si mesmo, mas aspira a algo mais, a algo que o transcende. Tendo um servo que sofria horrivelmente, isto fê-lo aproximar-se de Jesus, que lhe assegurou ir curá-lo. Ele, porém, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz» (Mt 8, 8-9). Nesta atitude é possível constatar como o centurião valorizava a hierarquia e como esta dimensão da sua vida quotidiana lhe fez interpretar a relação com Jesus de Nazaré, que confessa seu Senhor, seu Deus. Maravilhado com tais palavras, Jesus disse: «Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé!» (v. 10). Se, por um lado, este militar estava consciente da sua autoridade, por outro lado mostrou diante do Filho de Deus a força da fé e a coragem da humildade. Na verdade, o ser humano, por muita responsabilidade que tenha, por muito poder que exerça, por muito irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade. Ora, o infinito e a eternidade estão ao nosso alcance em Jesus Cristo: são dom do Senhor.

Excelência reverendíssima, caríssimos capelães, a vós a Igreja confia o crescimento espiritual dos militares e dos polícias da vossa Nação. Acolhei a todos, escutai-os, iluminai-os com a sabedoria da Palavra de Deus, permanecei a seu lado agindo em nome de Cristo na celebração dos Sacramentos, acompanhai cada um sem esquecer as suas famílias. Deste vosso específico ministério se colherão os frutos do crescimento pessoal na prática da vida cristã e do revigoramento do esprit de corps das Forças Militares e de Segurança que servis. Obrigado pela proximidade que, como bons pastores, proporcionais a quantos desempenham um serviço tão importante, especial e exigente para o bem de Portugal e não só. O vosso testemunho de amor à Igreja e ao País é bálsamo, que conforta e dá esperança.

E, por fim, a todos os que aqui viestes, quero agradecer a estima, o apreço e o reconhecimento diante do trabalho desenvolvido no Ordinariato. Que Nossa Senhora de Fátima vos acompanhe nas diversas missões, tanto em Portugal como no estrangeiro. A alegria do Senhor seja a vossa força. Deus vos abençoe! Obrigado!

[Bênção]

© Bollettino Santa Sede - 24 agosto 2026